Texto publicado de minha autoria no Vila das Palavras em 28 de março.
Recentemente, recebi uma mala-direta do cartão de crédito Diners dizendo que em breve eu receberia uma proposta especial. Depois de uns dois dias, veio uma outra mala-direta, quando eu abri, havia um pedido de casamento, e as alianças vinham em destaque. Mais uns dois dias, e recebo o convite de casamento, com o meu nome e do Citibank como noivos. Achei o material muito bacana.
As intenções do noivo pareciam as melhores: livre de taxas durante um ano, boas taxas de juros, proposta de empréstimo bancário. Um pacote completo. Não vou negar que fiquei bem impressionada com “o moço”. Mas como não sou uma garota fácil, não respondi ao pedido. Eis que o noivo insiste e liga para mim. Eu não preciso ir até ele. Ele virá até mim para consumarmos o casamento. Como o Itaú tem me decepcionado um pouco, resolvi aceitar a visita do Citi, e conferir pessoalmente a seriedade de sua proposta, se ele realmente queria me assumir como cliente.
Pois bem. Marquei a conversa para uma segunda-feira à tarde, no meu trabalho. O Citi, muito simpático, me convenceu, e casei ali mesmo, tendo os meus funcionários como testemunha. Assinei a papelada. Entreguei os documentos. E ele disse que entraria em contato para combinarmos como ficaria o nosso relacionamento. Acho que levei um bolo do noivo, depois do casamento. E, até agora, aguardo a lua-de-mel. Só hoje, liguei para o Citi três vezes. Ele me ignorou. Disse que estava ocupado, me ligava mais tarde. Nada.
Estou com vontade de pedir anulação do casamento. Acho que tenho direito. Afinal, o fato ainda não se consumou. Pelo menos, não para mim. Estou pensando seriamente em ficar com o Itaú mesmo, que pisa na bola de vez em quando, não oferece tudo o que eu desejo, mas já é meu velho companheiro de quase 10 anos e eu já conheço as suas manias.
Ai, ai… Como será o meu relacionamento depois desse um ano sem cobranças? Que meda!
Moral da história: quando a esmola é demais, o santo desconfia.
